“Apenas os pequenos segredos precisam ser guardados, os grandes ninguém acredita” (H. Marshall)

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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Plasma: Quarto Fogo Cósmico – a energia da Nova Era

Aurora boreal: plasma na Natureza

Quando Alice A. Bailey realizou o seu fenomenal “Tratado Sobre o Fogo Cósmico”, talvez o ponto mais alto da sua exegese criativa/canalizada da “Doutrina Secreta” de H. P. Blavatsky, limitou-se quase a tratar dos três fogos cósmicos mais conhecidos pela raça árya e suas iniciações (como pode sugerir a expressão de Hermes Trismegisto na "Tábua de Esmeraldas": “possuo as três partes da sabedoria universal”), que são os fogos frictivo, solar (magnético) e elétrico.

Ainda assim, como um avanço no rumo das novas coisas que representou aquela etapa intermediária de revelações espirituais transmitida através de Bailey, ela chegou a tratar em alguns pontos desta nova “energia quadridimensional”, descrevendo-a com a habilidade de costume (mas sem nomeá-la de uma forma mais precisa), como uma energia onipresente e todo-penetrante, que não se limita às formas mas as compenetra, por estar livre das formas físicas.

Hoje sabemos como se chama esta energia: plasma, cuja forma mais física vem sendo empregada em ampla escala pela ciência, pela indústria e sobretudo nas novas tecnologias -integrando inclusive aquilo que se costuma chamar de “tecnologias limpas”. A Ciência considera o plasma como “o quarto estado de matéria”, obtido quando o terceiro estado (gasoso) é processado, energizado, ionizado. 


Na Natureza, as auroras boreais também são uma forma deste plasma. Da mesma forma que está presente na “aura” solar (tal como é visível nos eclipses) e nos próprios raios (os quais, não obstante, também representa energia elétrica).

O tema da Quarta Dimensão entrou na pauta da Ciência através das considerações de Einstein sobre a Teoria da Relatividade, onde o Tempo representava esta “nova” dimensão da Física. Através da velocidade da luz, como matriz deste universo, o tempo poderia ser relativizado, e em tese se poderia viajar no tempo. Então, na prática é a própria luz que determinaria esta nova dimensão.



A nova raça-raiz iniciada m 2012 é a quarta, pós Lemúria, Atlântida e Árya. A raça Americana começa na Era de Aquarius, cujo símbolo é o aguador, o verter da sabedoria e da energia do coração, o quarto chakra que comporta esta energia plasma. A leveza do cervo presente na iconografia oriental deste chakra, remete à sutileza desta energia.
Nisto, podemos ver no aquário do arquétipo astrológico da Nova Era, também uma espécie de esfera-de-plasma sutil, que é a energia cardíaca. Tradicionalmente, as “águas superiores” dos mitos originais, representam as energias sutis e fluidas do Universo.

É também a energia da verdadeira iluminação, solar e definitiva, porque a forma de iluminação que a raça árya estava habilitada era ainda lunar e limitada, isto é, reflexiva, através da pacificação da mente/emoções para contemplar/refletir o cosmos. A força solar é diferente, porque incorpora a energia através da ascensão completa da kundalini.

Para finalizar, devemos saber que mais duas dimensões/iniciações estarão disponíveis na Nova Era, misticamente para muitos, é certo, mas na prática e cabalmente apenas para aquelas pessoas que transcenderem a esfera humana e adentrarem nos quadros da Hierarquia espiritual.


Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

A transição da era está dentro de nós – e você, está preparado?


Sim: a mudança das Eras depende menos de cronologias que dos estados-de-consciência. E neste campo de subjetivismos, tudo pode acontecer, inclusive aquelas ilusões mais ou menos inerentes à própria transição.

Tornemos porém a coisa mais concreta. Queremos sair de Peixes para entrar em Aquário. Um dos motivos é porque a Era de Peixes “já deu o que tinha para dar”, e o que oferece agora é apenas uma casca vazia do ser vivo que um dia foi. Outra questão, é que já não queremos tanto a crença, e sim o conhecimento. Mas nisto, de tão habituados que estamos a crer, podemos cair nas armadilhas de apenas trocar de crenças, inclusive por outras que de certa forma apenas simulam o conhecimento, como pode ser até a tal da Ciência...



Ora, aquilo que realmente diferencia fé de conhecimento, não são os experimentos externos associados a outras visões de mundo, mas sim a experiência interior, coisa na prática muito relegada na Era anterior, até que São Francisco de Assis começou a mudar um pouco as coisas. A mudança de relato-de-mundo representa apenas uma contestação superficial a certo corpo de valores, e não uma nova experiência interna de fato. Serve assim como antítese à velha tese, mas ainda não constrói as sínteses necessárias.

Tem-se também o exemplo das crenças exóticas. Para muitos, a mudança de crenças já soa um avanço. Por vezes, crenças vagas vêm embutidas em novas práticas úteis, como sucede na associação entre reencarnação e ioga, ou mesmo com o Hinduísmo em geral.


Então, o importante é entender que o novo verdadeiro está associado a novas experiências e realizações –especialmente, é claro, daquele tipo que representa um avanço real no quadro da experiência humana em geral. Nem todos estarão preparados para dar este salto, e aí regressa inevitavelmente o tema da crença, sob todos os matizes.

Julga-se comumente que acreditar em coisas exóticas já significa uma renovação, quando na verdade devemos nos esforçar por superar a crença–pela-crença ou em acreditar em coisas que estão fora de nós. Na Era de Peixes se acreditava em seres sagrados, e isto era melhor do que acreditar em coisas ao modo de fetiche. O passo seguinte a evolução humana seria a auto-realização, mas tal coisa sempre demanda orientação e nem todos estarão preparados.

Nossa passividade tem, enfim, várias causas, entre elas o hábito milenar de esperar respostas fora de nós, e também a novidade da ilusão do intelecto como resposta para os problemas humanos. Assim como as misturas que se costuma fazer disto tudo, através das tecnoutopias, etc.

O primeiro desafio, neste caso, está em crer apenas naquilo que aqueles que realizaram sabem, e não em crer em qualquer coisa por conta própria, ou em coisas relatadas por embusteiros que almejam apenas impressionar os crédulos visando angariar seguidores cegos. Vale observar aqui os ensinamentos dos grandes seres como referência, de teor universal e equilíbrio.

O falso conhecimento é uma das grandes armadilhas para aqueles que se aventuram no mundo espiritual sem guias. Um sábio verdadeiro, sempre conduz as pessoas pela trilha do conhecimento seguro, através da simplicidade e da fraternidade, e também das novas realizações espirituais.

O buscador deve procurar orientação por muitas razões, entre elas a sua própria inexperiência e o fato de estar sujeito ainda às ilusões do passado, como prova a tendência comum aos iniciantes de procurar poderes e fenômenos; além do fato do mundo espiritual ser esta espécie de “campo minado” de falsa-informação e desorientação. Aquele que não busca ajuda tampouco poderá oferecê-la, e esta situação não é muito abençoada pelas forças espirituais porque pouco contribui para a evolução do todo.

Assim, que cada um possa assumir a sua parte de responsabilidades pelo seu próprio destino e também do planeta onde vive, tratando de experimentar o novo antes de tudo dentro de nós como semeadura para o todo.


Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

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quarta-feira, 8 de julho de 2015

UMA VISÃO ESOTÉRICA DA CHAMA TRINA


As tríades parecem compor o universo da evolução consciencial humana. Um sem-número de realidades espirituais estão nestes termos figuradas, dos Gunas, Ritmos e Elementos primários até as Trindades ou Trimurtis universais, passando por sucessivas evoluções intermediárias. A Árvore Sefirotal é uma estrutura tipicamente edificada em tríades, para não mencionar a importância geométrica fundamental deste princípio, posto que o triângulo representa o verdadeiro “tijolo” do cosmos por ser a primeira forma cerrada que existe.

A Chama Trina foi dada no rol dos ensinamentos da Grande Fraternidade Branca durante o século passado, mas o conteúdo e significado mais profundos desta revelação ainda tem sido pouco explorado.
No geral esta “chave” é empregada apenas na Meditação das Chamas, sem maiores especificações, nas várias escolas associadas à Grande Fraternidade Branca (onde se destaca na verdade o trabalho da Chama Violeta). 
É também chamada de “Chama da Liberdade” e associada aos Três Raios de Aspectos divinos.

A Chama Trina é colocada no coração, onde também estaria radicada a Mônada (conforme Alice A. Bailey), e nisto temos uma primeira indicação. Contudo, o coração em questão não seria o Chakra Anahatha de doze pétalas do Hinduísmo, e sim o Chakra Ananda Kanda (ou coração espiritual) de oito pétalas do Budismo (por vezes mostrado dentro do chakra de doze pétalas).

Porém, ao estar no coração, significa também que ali se abre o acesso à Tríade Superior de centros, potencializando estas conexões superiores. Nesta fase, a Tríade Inferior já se acha composta –e como dissemos de início, o triângulo representa o “tijolo” do universo. Então ela está pronta para servir como ferramenta alquímica transformadora; o ser humano acha-se dotado então de certas faculdades-de-síntese. Por isto o mandala hindu do Chakra Anahatha mostra um exagrama ou selo-de-seis-pontas -é o que permite, aliás, seja a analogia do cristal como a do arco-íris.

Trishula celta
Como sugere a imagística, a Chama Trina representa efetivamente uma fórmula de unidade e de integração. Ao despertar a consciência no chakra cardíaco, podemos começar os trabalhos mais avançados de síntese de energias que conduzirão à iluminação e, daí ao Adeptado e até à Ascensão espiritual em alguns casos, para quem estiver preparado e também destinado, neste caso, a integrar as fileiras da Hierarquia espiritual.


A iluminação verdadeira representa uma conquista maior que começa a estar acessível para a humanidade na Nova Era. Aquilo que se fazia antigamente era apenas antevisões desta realidade, pois somente agora desperta na humanidade o chakra do coração, uma vez que se trata do surgimento da quarta humanidade, apta a ativar este quarto chakra também.



A ascensão também está disponível, como expressão da Sexta Iniciação (integrando ainda, portanto, as energias da Chama Trina), porém em casos mais raros uma vez que caracteriza a nova Unificação Vicária, ou o Adeptado Único nas gerações. Ainda assim, a Espiritualidade permite a organização de grupos ascensionais para a liberação coletiva, que são as naves místicas da Merkabah, devidamente capitaneadas por um Chohan ou mestres de Sexta Iniciação.


A Chama Trina pode ser descrita como a primeira fase de diferenciação da Mônada, através da Tríade Superior de chakras, ou seja: coração, garganta e cabeça. Por esta razão, através desta “chave trina” nós podemos buscar a reintegração da unidade monádica, que é a própria iluminação, através da ascensão de kundalini. Esotericamente falando, a Chama Trina representa as três correntes ou canais principais da “energia” kundalini: o solar (pingala), o lunar (ida) e o neutro (sushumna).
Para ativar realmente a Chama Trina, cabe pois trabalhar esotericamente com os chakras superiores. As energias gerais da espiritualidade (e talvez da vida em geral) são: som, amor e luz. Na Chama Trina, as correspondências seriam estas:


Chamas    Vermelha    Amarela      Azul
Chakras    Coração      Garganta     Cabeça
Energia    Amor          Som             Luz
Canais      Solar           Neutro         Lunar




Nesta fase, tal tríade se manifesta da forma mais refinada, através de mantra, compaixão e irradiação. O mantra OM MANI PADME HUM trata disto tudo: Om (cabeça), Mani (garganta) e Padme (Coração). O Hum -e o Hrih secreto também- podem ser associados aos chakras restantes (o sistema budista conta apenas com quatro e às vezes com cinco chakras, unificando os extremos), mas dizem respeito também às combinações destas energias. O próprio OM já pode significar uma prática semelhante, de forma mais concisa, e o Anushwara nele contido ainda mais.

No Hinduísmo, o tema diz respeito ao trabalho esotérico do Pramantharani, simbolizado pela “arte de fazer o fogo” (do que temos tratado em outras matérias), isto é, a criteriosa busca ocultista da iluminação, que é também indubitavelmente a Opus Magna dos alquimistas.

Leia também:
A Chave Trina: uma recapitulação final
O Pramantha: técnica & cânone da Iniciação


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sábado, 30 de maio de 2015

MITO - A REVELAÇÃO DA ESSÊNCIA: UMA DIDÁTICA-DO-INFINITO



O mito traduz em símbolos que captam a nossa atenção os fatos ocultos importantes que de outra forma poderiam nos passar despercebidos, dando-lhes assim a devida importância que merecem. Neste sentido, o mito é diametralmente oposto à Ciência, que tem a pretensão de avaliar a verdade das coisas, porém raramente vai além da superfície
O mito é uma linguagem de síntese, mas também representa um recurso didático especial. Através do mito você é convidado a sentir as coisas, para vir a se interessar a conhecer. E não existe melhor forma de conhecimento do que a experiência direta.
Como falar do poder do Sol em poucas palavras? Às vezes pode ser mais fácil transmitir a essência das coisas através de um culto do que por um tratado repleto de números e de informações frias e dispersas. Mesmo porque, provavelmente os tratados jamais poderão comunicar tudo aquilo que o Sol pode realmente representar na vida das pessoas.
Confunde-se muito o mito com a fábula. Hoje se procura muitas vezes dar ao mito uma conotação psicológica. Talvez os gregos, no seu afã de humanizar o politeísmo, tenham buscado objetivos como este, acarretando neste caso num reducionismo.
O mito visa não aumentar, mas retificar as ilusões humanas. Grandes feitos podem não ser aquilo que a maioria deseja ou espera. Talvez o Destino tenha outros planos para as coisas, e quando os homens sentem-se desamparados deveriam saber que podem estar eles mesmos no caminho errado.

Os mitos dramatizam para sensibilizar. De que servem narrativas históricas lineares, quando se necessita dar exemplos e prestar orientação? O mito busca transmitir uma experiência direta ao invés de simples informação. São famosos os “exageros” orientais, como hipérboles, e as máscaras rituais ou artísticas tinham uma intenção semelhante.
Se os mitos existem para sensibilizar os homens, também existe um caminho para superar os mitos, que é alcançar a sensibilização –provavelmente com o auxílio deles mesmos. Porém, aqueles que renegam os mitos, antes de se tornarem realmente sensíveis, o que restará para estas pessoas?! E esta premissa se estende aos dharmas em geral, como ensinou o próprio Buda.
O mito não exagera de fato, ele apenas revela o oculto. Para os sociólogos, o mito –incluindo nisto as religiões- é a forma de cultura das sociedades antigas, que são aquelas que não obstante relacionamos à Idade de Ouro.
Partindo ainda da nossa própria Antiguidade histórica, vários sociólogos e historiadores, tem avaliado as transformações da cultura universal nestes termos:

Mitologia -> Epopéia -> Filosofia -> Ciência

É possível inclusive enquadrar estas tendências dentro de ciclos conhecidos através de certos calendários sociais, com Idades entre 1.000 e 1.300 anos de duração, cuja sequência é aquela conhecida de Ouro, Prata, Bronze e Ferro.
Pensando assim, a Ciência quer dar uma conotação algo infantil à cultura antiga. Inversamente, porém, aqueles que a representam consideram infantil, bruto e primitivo ater-se somente às coisas evidentes, tangíveis e materiais. Noutra abordagem, ter-se-ia que tal limitação corresponde a uma espécie de senilidade da cultura humana, já que a criança nem sempre está assim tão apegada ao plano material, sobre o qual ela recém está aprendendo/assimilando na verdade.
Nisto, é possível sim comparar o mito com o recurso didático da fábula destinada às crianças em especial. Diante dos grandes fatos, o homem comum se assemelha à criança, e necessita ser impregnado por um novo imaginário de expansão.
Os grandes mitos descrevem acontecimentos maiores, incapazes de descrição objetiva. O mito visa conferir justiça e proporção àquilo que poderia ser ignorado, sob pena de desconhecermos o tamanho da ação divina ou, eventualmente, de alguma outra natureza. Contudo, aquilo que importa aqui é o poder divino de superar grandes provações, inclusive aquelas advindas de poderes especiais das trevas ante os quais os seres humanos acham-se totalmente importantes...
Por exemplo, se diz que certos avatares escreveram dezenas de milhares de obras, o que literalmente não corresponde aos fatos, porém somando os esforços dos seus discípulos o resultado não estaria longe disto. A obra fundadora ou o dharma-raiz, tinha em si embutida potencias inestimáveis, e este tipo de consideração exponencial ou qualitativa era muito comum na forma antiga de narrar a História.

O mito visa despertar o enlevo e a adoração que uma situação pode merecer, mas que poderia não ser percebida pelos humanos como tal sem o apelo a recursos especiais de linguagem. Por ser a cultura da Idade de Ouro, o mito trata de elaborar uma Didática do Infinito para comunicar sobre os Atos Fundadores de uma cultura ou civilização emergente.
O termo mito também se usa no sentido da falácia e do engodo. O mito pode ser falseado? Obviamente existem falsos mitos e também mitos esvaziados como deus otiosus. Isto toca unicamente ao discernimento das pessoas decidir. Um falso mito é um problema tão grave como a falta do bom mito, e na verdade ambas as coisas estão bem relacionadas. O mitômano é alguém que vive uma ilusão crônica e inquestionável, associada à prática da mentira compulsiva e à busca por criar uma imagem fictícia.

O mito é algo tão forte e determinante, que o ser humano não pode viver sem ele. A ausência do mito é simplesmente uma quimera, a própria Ciência, que pretende substituí-lo, termina por representar um mito falho, na medida em que não se admite como mito. A Epistemologia veio para corrigir estes problemas, fazendo um meio-campo necessário entre a Ciência e a Filosofia.

Naturalmente há mitos de diferentes espécies, com funções também díspares. Porém, os verdadeiros mitos tratam dos deuses e, dai, dizem respeito ao universo da religião. A dificuldade de conhecer um grande homem é como a de conhecer uma grande montanha: remota, distante e enevoada. Os fatos nem sempre atendem a demanda da fantasia humana. Os humanos querem adorar seres poderosos, porém a verdadeira grandeza pode se assemelhar mais a um iceberg, apenas uma pequena parte se revela. Por sua própria natureza, a espiritualidade pede discrição e modéstia. A história de Jesus é em tudo um exemplo de como Deus pode surpreender e inovar.
Então, a criação dos mitos fundadores representaria o alicerce fundamental de uma cultura, perdendo apenas em importância para os atos fundadores em si. Isto explica a importância das lendas e da literatura na formação ou na consolidação de muitas sociedades emergentes. O legislador Moisés foi um grande “mitificador”. O papel das Leis toca aos divinos Manus (“Mentores”) e aos seus correlatos. O Pentateuco (significa “cinco rolos”) fazia alusão aos cinco estados-de-consciência do ser humano, relacionados às raízes das classes sociais.
A Idade de Ouro mitifica (não “mistifica”) fatos ocorridos previamente na fundação das coisas, durante a chamada Idade do Diamante quando ocorre o grande embate entre a luz e a trevas em nome da criação de um novo tempo do mundo. Vivemos hoje o estágio central desta Idade de transição, quando o "carvão" do velho mundo vira "diamante" no novo mundo para transmitir a luz de uma nova revelação. Como estamos começando a parte positiva da transição, caberia dar início também à organização das novas estruturas culturais do mundo.

Leia também
Mito solar - a essência das grandes profecias
Agartha: Mística, Mito e História


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sábado, 16 de maio de 2015

A Educação Permanente e o Anarquismo possível



A “Educação Permanente” representa para nós uma educação integral da pessoa e sobretudo da sociedade, para além portanto da formação infantil. A limitação de empregar termos como “Educação Holística”, que também nos concerne todavia, é que a Educação Integral do ser humano deve ser algo progressivo, ademais de potencialmente vitalício.
O termo “Educação Permanente” tende a ser empregado em nossos tempos de especializações como um processo de contínua graduação da formação técnica (doutorado, pós-graduação, etc.), abarcando a organização do trabalho, gestão e controle social. Nós designamos a estas porém simplesmente como “profissionalização”.


A Educação Permanente visa forjar a integridade do ser humano, conquanto trate ela de se harmonizar com a liberdade e a diversidade humana, determinando as possibilidades do “anarquismo” ou da livre-expressão nata ou adquirida. 
O termo “anarquismo possível” possui aqui então duas acepções. Inicialmente, aponta que a educação permanente representa a única forma de alcançar o anarquismo; depois, que este padrão pedagógico determina os limites reais do anarquismo ou os caminhos para um anarquismo realista.*
A Educação Permanente representa a superação das ideologias. Não existe anarquismo coerente sob ideologias absolutistas e sujeitas meramente a culturas-de-época –menos ainda sob ideologias extemporâneas e exterrâneas. Um anarquismo efetivo ter um claro sentido de superação histórica e de ideologias rígidas. O anarquismo apenas existe de maneira holística, razão pela qual ele acaba se multiplicando em correntes “infinitas”...


O “universalismo” soa às vezes como uma panaceia utópica, alheia às urgências da realidade histórica. Contudo, um ecumenismo verdadeiro seria capaz de suprir por si só as necessidades sociais de forma equilibrada.
A Educação Permanente significa abolir a primazia das instituições. Nós não eliminaremos as instituições em si, porém elas já não determinarão a conduta do ser humano, mas estarão ao ser serviço. Estado, Polícia, Igreja... existem basicamente para cumprir funções reguladoras que uma educação limitada não pode alcançar.

A Educação será neste caso a primeira e a única verdadeira instituição. No entanto, ela é permanente por ser holística e universalista, e como tal não se torna opressiva ou ideológica.
A “Educação Permanente” se destina na verdade a levar cada um até onde ele está naturalmente capacitado a ir. Quando a pessoa possui potenciais crescentes ela avança numa espiral através da fácil assimilação dos conteúdos gerais, e quando a pessoa atinge os seus limites ela reduz a velocidade do aprendizado ou entra numa forma de treino circular especializado. 
Nisto é que realmente entraria a atualização profissional dos conhecimentos (também definida como “Educação Continuada”) comum hoje especialmente na área da Medicina. 

Este limite natural do indivíduo determina aquilo que se poderia chamar de sua “classe social”, sempre caracterizada pela sua atividade profissional. Aqui é que entra realmente o papel das instituições como atividade maiormente autônoma, visando dar suporte aos interesses-de-classe.
A compartimentalização social não implica na sua impermeabilidade e isolamento. Pelo contrário, dever ser instituídas vias comunicantes entre todos os setores socioculturais, o que se dá basicamente pela valorização e o respeito.

A hierarquização até pode existir, porém sempre nos limites da sua legitimidade. A autoridade é um fato em todos os setores, contudo não pode sucumbir ao autoritarismo. O sentido social do todo é fundamental para isto, o espírito-de-serviço deve estar acima dos interesses pessoais e setoriais. Cabe ter em vista sempre um Objetivo maior, acima até mesmo da própria sociedade...
Um profissional não pode se encastelar na sua atividade voltando-se apenas para si ou para os seus pares. Toda atividade deve possuir autêntica função social, tratando assim de servir tanto ao seu próprio núcleo especializado, como também ao todo da sociedade. Isto significa capacidade de adaptação e flexibilidade, resultando na única forma civilizada possível de vida. Isto vale, naturalmente, para todos os segmentos sociais.

Aquilo que se descreve acima, representa o padrão cultural das Idades-de-Ouro da Civilizações. Mais concretamente, foi o que se tratou de realizar na Índia através do Brahmanismo, antes que a crise institucional inverter a subordinação idealizada do primado da educação plural (ashramas) pelo das castas (varnas).

* Alguns poderão arguir sobre a possibilidade de um Anarquismo nihilista e liberal, e esta poderá ser realmente uma tendência das velhas sociedades em desconstrução que tem rumado para o materialismo histórico. Porém no Novo Mundo em construção, a flecha caminha naturalmente para o Todo!

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A Educação holística e vitalícia da filosofia social da Índia
Educação e atuação social no Anarquismo: a questão construtivista


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sexta-feira, 1 de maio de 2015

A EDUCAÇÃO HOLÍSTICA & VITALÍCIA NA FILOSOFIA SOCIAL DA ÍNDIA

A Idade de Ouro surge quando a sociedade alcança valorizar a integridade do ser humano, sob o abrigo das instituições harmonizadas entre si –um dos nomes deste regime social é Sinarquia.
Pouco se sabe destes longínquos tempos da Humanidade, guardados sobretudo pelos mitos mas também através de heranças culturais, por vezes para além do registro silente das pedras. Não há que estranhar porém que a memória destas instituições tenha sido corrompida após incontáveis gerações, toca-nos o mérito de valorizar aquilo que resta e quiçá investigar o que possa ter sido nas origens.

Brahma, o Criador
A Índia Antiga entendeu que tudo... pode ser sagrado. Todas as dimensões da vida merecem ser espiritualizadas. Basicamente, a Sabedoria Antiga compreendeu aquilo que a Ciência Moderna afirma, ou seja, que “matéria é espirito no seu estado mais baixo e espírito e matéria no seu estado mais elevado” (H. P. Blavatsky) A meta da vida é transformar a matéria em energia, buscando a iluminação espiritual.
Para que tal coisa pudesse ser alcançada de uma forma mais generalizada, a primeira medida foi educacional. E como recurso natural se tratou de organizar ambientes especiais -chamados ashramas-para as sucessivas etapas da realização humana, tudo isto representando também as bases para as instituições áureas –basicamente escola, matrimônio, administração e religião- e as próprias classes sociais.

Os quatro ashramas ou etapas-de-vida

Teoricamente, tal coisa converteu as classes sociais em iniciações, e podemos dizer que os conhecimentos das Escolas Iniciáticas da Índia foram através disto socializados. Como havia de início os ideais sociológicos de igualdade e de dinamismo social, isto não foi difícil de alcançar, mesmo porque não se tinha nenhuma forma de ditadura ideológica ou classista, por assim dizer, a “cultura” é que representava as metas da evolução social.
Tal como nas classes educacionais, metas eram propostas para cada instituição védica. Aqueles que as cumpria poderia avançar nos graus espirituais e nas classes sociais correlatas. Porém quem estacionava um degrau sócio-cultural, tinha ali a sua classe definitiva. Este era pois o quadro resultante:*

  Estágio cultural (ashrama)                             Estado social (varna)

1. Estudante (brahmacharya) ..................... servidor (sudra)

2. Doméstico (grihastha) ........................... burguês (vaishya)

3. Administrador (vanaprastha) ................... guerreiro (kshatrya)

4. Renunciante (sannyasin) ........................ sacerdote (brahmane)

Na mitologia social hindu, as castas são emanadas do Manu (o “Mentor”), por sua vez uma emanação do deus Brahma, “o Criador”. Contudo, sabe-se que na raça-raiz árya, cujo ciclo foi implantado na época de Krishna há uns 5 mil anos, havia alguns raros seres humanos que alcançavam até cinco iniciações, chamados na Índia de Asekhas (“não-discípulos”, Mestres), e que poderiam ser identificados aos rihis ou videntes (aqueles que receberam os Vedas), uma vez que o termo remete às capacidades dos AskehasEsta quintessência se obtém através da integração dos elementos materiais, e pode ser transposta para o plano social, sendo esta na verdade a origem do conceito de Civilização. Seriam estes, muito provavelmente, os verdadeiros criadores e os administradores do sistema varnashramadharma (“leis de classes cíclicas”) em todo o mundo, como emissários ou representantes do Manu.
Havia então a tradição dos Saptarshis (os Sete Videntes), espécie de Assembléia de Sábios presente também na cultura nahua através da lenda da criação do Quinto Mundo pela assembléia realizada em Teotihuakan. Platão falava dos Sete Arcontes que governavam o mundo, a partir dos diferentes Continentes da Terra. Uma síntese deste tema existe hoje através da ideia da Grande Fraternidade Branca, estruturada sobre os Sete Raios da divindade, inspirada pela filosofia teosófica e derivadas.

A pirâmide sócio-cutural natural

Esta evolução social manifesta uma pirâmide social natural, uma vez que os padrões culturais selecionam os candidatos; situação esta que pode ser amplamente verificada na Antiguidade. Idealmente falando, o ápice social da pirâmide cultural (constituída pela aristocracia e o clero) não pesa sobre a base social econômica por duas razões: a. ser reduzido o número dos membros desta cúpula e b. por seus valores serem idealistas e espiritualizados. Ademais, existe todo um ativo serviço cultural, administrativo, educacional e espiritual altamente especializado realizado pela cúpula, cujo valor e importância é plenamente reconhecido dentro desta sociedade holística, sem necessidade de capitalização de valores.**

As quatro castas (caturvarna)
Com o passar do tempo e a perda da capacidade social para administrar as instituições em termos ideais, a questão dos estágios culturais passou a cada vez mais dar lugar aos estados sociais, até que se tratou de cristalizar esta situação através das castas-de-nascimento (jativarna) –quiçá como medida pia visando preservar as estruturas culturais, pois apesar de todos os problemas, a pirâmide social hindu se ainda manteve com razoável base cultural.
Exemplificando, aquele que tivesse a capacidade de passar uma “vida inteira” aprendendo dinamicamente, se tornava naturalmente um brahmane. Mais tarde, ao brahmane-de-nascimento era dado o direito de estudar toda a vida mais o menos dinamicamente. Para isto, os instrutores também observavam a velocidade com que as pessoas aprendiam: quanto mais rápida e completa fosse a assimilação dos conteúdos, mais promissor seria o avanço sócio-cultural. O padrão ideal também seria cronologicamente “piramidal”, relacionado com a aceleração da energia.
Neste processo, quanto mais avançada for a casta, mais ashramas ela acumula, como forma de prepará-la para os seus afazeres. Anteriormente, como vimos, era a capacitação nata ou vocacional que determinava a classe espiritual a ser alcançada. A perda é evidente, e nesta mudança também se impôs diversas corrupções, entre elas a privação da classe “servil” de contar com qualquer ashram. Outra questão negativa foi associar as castas às raças, como se depreende pelo termo varna, “cor”. Sabidamente existem também os sem-casta por nascimento, aos quais são concedidas as tarefas consideradas mais sujas e baixas.

um rishi védico
Pode soar curioso a forma como certos povos mantinham os preconceitos tão levianamente, porém isto não está tão longe de nós, na verdade pode estar bem mais próximo do que queremos perceber, ainda que as ideologias modernas façam as coisas de uma forma mais escamoteada. Raça e cultura são coisas muita ligadas, e associá-las às castas para efeitos de exploração econômica é apenas um passo.***

Claro que diante de algo assim, ficamos revoltados e queremos que tudo isto seja deixado de lado. Estamos longe de conhecer as origens destas estruturas sociais e nem temos a capacidade de reerguê-las. O Buda, porém, que conhecia o assunto mais a fundo, não era contra as castas, apenas contra a sua rígida vinculação com o nascimento. Consta que o sistema social concede uma forma de sair fora das castas, através de se tornar a pessoa um monge e daí, talvez, um sábio.

Harappa, Vale do Indus
Como última palavra, cabe inserir mais alguns elementos de tempo-espaço no plano social. Os ambientes culturais dos ashramas envolvem naturalmente um elevado projeto-de-civilização, e para isto foram criadas cidades novas especiais, muito provavelmente aquelas da Civilização do Indus no caso da Índia, berço e florescência da cultura védica ou mesmo dravidiana. Estas cidades possuíam um elevado padrão urbanístico, que tinham seus êmulos na Suméria com a qual mantinham relações culturais e comerciais. 

* Este quadro é algo idealizado, certas atividades podiam ser flexíveis. O vanaprastha poderia ser também um professor acadêmico e até um instrutor, o termo significaria “se aposentar numa floresta”, atitude que tem muita relação com aquilo que realiza o renunciante ou sannyasinTemos por certo que as instituições védicas não alcançaram a sua plenitude em função da evolução humana ser insuficiente então, coisa que não obstante já modifica nesta Nova Era.
** Quando as classes materialistas se apropriam destes assuntos como sucede na sociedade laica, o reducionismo e a perda de qualidade é evidente. Mesmo que as escolas sejam administradas por instituições religiosas, o Estado tem o poder de impor “currículos oficiais”.
*** Há quem diga que os ashramas são anteriores ao Brahmanismo, que este apenas codificou e adaptou a doutrina após a vinda dos áryas para a Índia, vindo também a cristalizar as castas. Com efeito, há registros destas atividades já na literatura védica (às vezes com nomes distintos), e sabe-se que muitas vezes os novos registros têm o propósito de recodificar a memória e as instituições. Ainda assim é coisa difícil de concluir com certeza, na prática sabemos apenas que em algum momento houve esta distorção e que os ashramas estão ligadas ao Brahmanismo, a chamada Filosofia Social clássica da Índia, codificada através das “Leis de Manu".


Bibliografia
"Brahmanismo - a síntese social", L. A. W. Salvi, Ed. Agartha
"Sociologia Universalista"L. A. W. Salvi, Ed. Agartha
"A Árvore da Tradição"L. A. W. Salvi, Ed. Agartha

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Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

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