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quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Os ASHRAMAS e a educação sócio-espiritual hindu



“Ashramas” são os estágios de vida capacitadores das experiências sociais de excelência que eram as castas (“varnas”) originais (que por isto eram emanações de Manu, o Mentor racial), constituindo um verdadeiro sistema de educação permanente de acepção iniciático-espiritual no Brahmanismo e, portanto, alavancador de mobilidade ou evolução social, regido pelas vocações manifestas e sem imposição de metas sociais, “apenas” com liberdade plena e igualdade universal de direitos. Estes quatro estágios-de-vida são: estudante (brahmacharin), doméstico (grihastha), instrutor (vanaprastha) e renunciante (sannyasin). O nome completo deste sistema social é varnashramadharma, que pode ser traduzido como “lei das castas cíclicas” ou “lei da educação social”, e consta nas “Leis de Manu” (Manavadharmashastra).


Esta grande “utopia” social védica se perdeu, não obstante, pela interposição humana de “jati” (nascimento) como fator de cristalização social, face o preconceito racial e outros aspectos materialistas, como apego às riquezas, o desejo de privilégios, etc. Para isto chegar a ser possível, as próprias “Leis de Manu” foram adulteradas; após alguma revolução qualquer ali suscitada ou por decreto de alguma dinastia mais ambiciosa, num verdadeiro conluio entre as classes superiores (que já nem eram tanto assim...) que simplesmente privou a classe trabalhadora (ou serviçal, os sudras) do único ashrama a que teria direito, a condição de estudante, solapando assim as próprias bases do dinamismo social. Uma das razões pelas quais se diz haver sido o Budismo varrido da Índia continental, foi pela pregação do Buda contra este sistema de castas corrompido, coisa que mais recentemente o Mahatma Gandhi retomou.

Os ashramas são a alma das castas e eram a sua razão-de-ser, porém a certa altura as castas adquiriram “vida própria”, baseadas em linhagens hereditárias e não mais na dupla vertente ashrâmica capacitação-vocação, ashramas estes cuja simples existência até os nossos dias (ainda que sujeita a “jativarna”), testemunha a nobre intenção de organizar uma sociedade superior onde a educação e a espiritualidade sejam as suas premissas fundamentais.

Numa sociedade livre, onde o trabalho e o serviço sejam uma base universal, sem privilégios de nascimento de qualquer espécie, tudo isto pode vir a ser restaurado para se configurar uma Idade de Ouro da cultura, sob a égide da verdadeira Sabedoria das Idades, ao invés de sujeitar a humanidade ao látego das revoluções materialistas sangrentas de Kali Yuga, incapazes de dobrar a curva do século face a sua arquitetura acéfala alicerçada no preconceito cultural.

Ver também
Classes sociais & estados-de-consciência: correlações originais

Ver mais em "Brahmanismo - a síntese social", LAWS, Ed. Agartha, AP

Luís A. W. Salvi é autor polígrafo com cerca de 150 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.
Editorial Agartha: www.agartha.com.br
Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 9861-5178 e (62) 9776-8957


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