“Apenas os pequenos segredos precisam ser guardados, os grandes ninguém acredita” (H. Marshall)

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Shakty: vantagens e bênçãos da castidade no caminho espiritual

Aquele que é chamado a desposar a Luz, será inicialmente convidado a noivar com a castidade, para lhe servir de anfitriã a fim de conhecer os palácios da Dama da Luz.
As maiores realizações espirituais são alcançadas graças à castidade; por isto Deus ama a castidade, por ser ela boa e bela, útil e necessária, justa e verdadeira... No mínimo, nos será pedido uma contenção razoável, a fim de que o acúmulo de energias permita obter as experiências necessárias e, como fruto delas, as realizações finais.
Tudo isto gravita então em torno do universo de Shakty, a energia feminina e amorosa contida em nossas forças espirituais ocultas, segundo a filosofia tântrica da Índia, acessadas quando mergulhamos nos mananciais secretos da alma. 
Muitos ensinamentos tratam da importância da castidade, merecendo destaque também a filosofia tolteca divulgada por Carlos Castañeda, dos índios norte-mexicanos, para quem o acúmulo da energia seria fundamental no caminho do conhecimento espiritual.
Passemos a enumerar, então, algumas das principais possibilidades que o cultivo da castidade pode proporcionar, de uma forma crescente ou segundo a nossa evolução espiritual.

1. O “estado-de- graça”. O famoso estado-de-graça é um enlevo espiritual conhecido por aqueles que estão consagrados à Deus, à luz ou à verdade; como um primeiro contato paradisíaco com os mistérios sagrados. O estar-apaixonado se assemelha um pouco a isto, daí haver surgido correntes medievais que cultuaram sistematicamente esta condição, como eram os chamados “fiéis do amor”, quando optavam se apaixonar por uma dama nobre, casada e inacessível, cultivando assim apenas o amor platônico...

O estado-de-graça também pode ser recebido de uma forma gratuita, por aqueles que são chamados por Deus para conhecer as suas grandes Verdades, e neste caso deverá passar uma vida ou um período de auto-consagração, para que estas bênçãos cresçam e se consolidem, em ambientes adequados para isto. De qualquer forma, a experiência poderá servir de guia vida afora, movendo-nos para uma vida de auto-disciplina e de auto-depuração. A castidade pode proporcionar paz, felicidade, desapego e clareza de mente; são os abençoados frutos da Shakty neste degrau.
A revelação “gratuita” do estado-de-graça é característica da Primeira Iniciação, sendo também conhecida como um “chamamento” ou o despertar de uma “vocação” espiritual.

2. A “Dama Natureza”. Os franciscanos asseguram que a castidade pode proporcionar uma experiência de elevada intensidade com a Natureza, de percepção paradisíaca, por assim dizer, das belezas e dos mistérios naturais. Por isto os monges a chamam afetivamente de "irmã castidade"...
Neste quadro a Natureza adquire um aspecto de revelação, de magia e encantamento especial, que satisfaz os sentidos e a alma a um só tempo. É uma realização própria da Segunda Iniciação, quando a sensibilidade se acha mais refinada e consagrada à luz através da devoção.
Esta seria pois uma extensão do estado-de-graça, porém outra espécie de experiência natural profunda poderá ser conhecida mais tarde, sob o desenvolvimento dos poderes da clarividência (um poder característico da Terceira Iniciação) através da meditação, quando o contato e a percepção dos seres Elementais também poderá ser realizado. A beleza e a força de Shakty se revela sob muitas formas, e as magias da Natureza são apenas uma delas.

3. O tantra úmido. A magia sexual ou maithuna, é uma das formas prescritas para o fomento da energia interior. O simbolismo tântrico fala da energia feminina, Shakty, contida na força serpentina, capaz de proporcionar prazer e intensidade.

O êxtase da Shakty é conhecido na Via Úmida especialmente através deste acúmulo da energia, como uma força-de-potência. Ali a pessoa aprende a manejar suas energias, através do exercício da vontade e do auto-controle. Trata-se porém de prática desafiadora, que exige normalmente a orientação de um guru. Local e hora adequados também podem ser importantes para isto. Esta é uma forma de harmonizar as atrações da sexualidade com as exigências do caminho espiritual.
Os Tantras surgiram na Índia e envolvem o conhecimento dos mecanismos sutis do ser humano, que são daí empregados em todas as formas de prática, mas na China isto também tem sido desenvolvido. Os tratados chineses asseguram que esta pratica proporciona saúde e longevidade.
O Kama Sutra pretende orientar a respeito, inclusive como uma forma clássica de melhor satisfazer a mulher; ainda que esta antiga obra esteja repleta de superstições acumuladas pelo tempo. Mesmo que a fisicalidade da prática seja característica da Segunda Iniciação, a técnica pode servir de transição para a Terceira Iniciação, na medida em que consegue educar poderosamente a vontade da pessoa.



4. O tantra seco. A chamada “via seca” do Tantra, representa prática que envolve uma técnica superior. Ali as polaridades são trabalhadas internamente através da meditação, produzindo frutos luminosos com brevidade, potência e satisfação. Eis que a verdadeira meditação costuma envolver etapas, uma mais passiva depurativa, e logo outra mais ativa, criativa. A conhecida Raja Ioga da Índia se limita mais ao momento inicial passivo, legando por isto ainda uma condição frágil de consciência. 
Porém, muitas técnicas ativas têm sido também desenvolvidas, especialmente pelas correntes do Budismo Tibetano. A meditação criativa, também foi desenvolvida através das técnicas esotéricas do culto solar e ao fogo, praticadas nos antigos templos egípcios e mazdeístas. Hoje em dia temos a revelação da Agni Ioga para cumprir as novas demandas da espiritualidade positiva.
Embora os Tantras no geral sejam prescritos para o Kali Yuga, esta idade materialista e científica, a Via Seca envolve aquelas práticas que são mais refinadas, elevadas e também atuais, na medida em que as raças emergentes devem trabalhar especialmente os chakras superiores, sob pena de superestimular aquilo que já foi desenvolvido por outras raças, produzindo desequilíbrios e descontrole de energias que levariam ao inevitável fracasso...
Para que os frutos superiores da meditação possam ser acessados, é importante o acúmulo ou a contenção de energias, útil até mesmo para um melhor desempenho nos esportes; quanto mais naquele campo sutil que demanda uma especial concentração de forças. 
O êxtase da Shakty é um fruto natural da meditação superior, na forma daquela leveza e alegria que caracteriza a condição Hamsa, o Cisne, nome dado na Índia à Terceira Iniciação, envolvendo como técnica central o conhecimento profundo da Palavra Sagrada, OM, onde a Shakty está presente especialmente na letra “M”.



5. Almas-gêmeas. Almas-gêmeas representam uma espécie de somatório daquilo tudo que foi até aqui descrito, até porque apenas pode ser conhecida por aqueles que têm suas almas desenvolvidas, valorizando e transfigurando os corpos em fontes de luz e do mais sublime prazer. Misteriosamente casto e pleno no mais alto grau, como forma de manifestação ou cristalização da Shakty, este grande mistério revela a possibilidade de uma intimidade plena, mas isenta das marcas convencionais dos instintos, como expressão da unicidade, do destino e da própria evolução superior.
Tal como a raça árya recebeu a prescrição de desenvolver os Tantras, com foco central no plexo solar, através da magia e da meditação, a nova raça-raiz está destinada a desenvolver a esfera do coração, resultando no maravilhoso contato das almas-gêmeas e na própria iluminação, que será o tema a seguir.
No caminho espiritual, a realidade das Almas-gêmeas serve como instrumento da transição da Terceira para a Quarta Iniciação.



6. Iluminação solar. A expressão “Iluminação solar” faz uma distinção com o conceito mental de iluminação “lunar” ou passiva, desenvolvido especialmente pelo Budismo, onde se buscava tornar a mente receptiva às energias superiores, tratando-se daí, e mais uma vez, de uma experiência epidérmica e transitória. Contudo, o próprio simbolismo espiritual da Nova Era, atesta pela forma dos novos Budas e das atitudes dos seus Avatares, que as novas energias espirituais são ativas e positivas.
A Iluminação solar se aproxima mais do conceito tântrico hindu de iluminação, trabalhando a ascensão completa de kundalini. E novamente cabe a evocação da Shakty, porque toda a iluminação é profundamente gozosa ou prazeirosa. Esta realização é uma espécie de contraparte espiritual às almas-gêmeas, na medida em que envolve o pleno despertar do centro do coração, fazendo do ser humano um pequeno sol de positiva irradiação amorosa e curativa.
Representa enfim a própria técnica da Quarta Iniciação, que envolve o conhecimento da Palavra Perdida e culmina a evolução humana desta ronda evolutiva do planeta, proporcionando a imortalidade da consciência.


Para além disto tudo, ainda existem outras tantas dimensões de realização espiritual, nas quais a Shakty também pode se transformar em forças cósmicas.




Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
Fones (51) 99861-5178 e (62) 99776-8957
Editorial Agartha: www.agartha.com.br

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