“Apenas os pequenos segredos precisam ser guardados, os grandes ninguém acredita” (H. Marshall)

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sábado, 27 de novembro de 2010

As Duas Grandes Correntes da Iluminação



São conhecidas na Tradição universal, duas grandes correntes que tratam do tema da iluminação, e que podem ser definidas como a Escola da Consciência (ou do Amor) e a Escola da Energia (ou do Poder).
A Escola da Consciência, também conhecida como o Caminho do Lótus, trata de desenvolver e trabalhar a qualidade da percepção humana, atuando sobre a capacitação da mente no sentido de direcioná-la, controlá-la, pacificá-la e dirigí-la para metas definidas, tendo como uma de suas bases o uso da ética. Este é o campo da mística e até da religião, alcançando um apuramento filosófico através da compaixão e um aprimoramento técnico pela meditação passiva. A iluminação mística que trabalha esta Escola, não pode ser considerada definitiva, antes se limitando quase a insights, demandando um esforço contínuo e a existência de um modo de vida restrito e contemplativo, mantendo portanto uma separação pronunciada entre a vida comum e a vida monástica. A sombra desta Escola é o fanatismo e a perseguição religiosa fundamentalista.

Já a Escola da Energia, também conhecida como o Caminho do Raio, trata de usar a mente de forma dinâmica e criativa, para forjar e alcançar energias capazes de elevar o padrão vibratório do ser humano, tendo como uma de suas normas gerais o uso da técnica. Este é o campo da magia e do ocultismo, alcançando um apuramento filosófico através da astrologia e um aprimoramento técnico pela meditação mântrica. Embora sob o risco de enfraquecer a consciência, a iluminação científica que trabalha esta Escola pode ser considerada definitiva, já que dota o iniciado de grandes energias, possibilitando assim uma integração maior entre todas as coisas e até a elaboração de novas sínteses, dotando assim o ser humano de um expresso sentido de universalismo, coisa esta especialmente sensível nas Idades de Ouro da humanidade. A sombra desta Escola é a feitiçaria e o interesse pelo poder temporal desviado.


Há muitos sinais, mesmo naquilo que acima se descreve, da profunda complementaridade destas duas correntes tradicionais. A menção do lótus e do raio (ou da jóia), por exemplo, evoca o célebre mantra tibetano que exalta estes dois símbolos, relacionados ao coração e à mente, respectivamente. De fato, o Budismo também refunde as duas coisas no seu conceito máximo de Bodhicitta, a mente compassiva.


De forma semelhante, temos descrito as duas etapas da meditação, como pautadas por uma fase passiva de purificação, seguida por uma fase ativa de criação, coisa esta que reproduz em largos traços o sistema da Ioga Óctuple de Patânjali, resumida nos três momentos do Samyama que reúne Concentração, Meditação e Identificação. É por esta razão que, no mantra tibetano, primeiro se fala do Lótus (Padme) e depois se fala da Jóia (Mani).


Estas colocações sugerem então, que haveria aqui certa hierarquia de métodos, ainda que, de uma forma rigorosa, as duas coisa devem ser entrelaçadas, tanto que no Budismo tibetano, elas estão representadas pela parelha tântrica Yab-Yum, descritos comumente como a junção de Método e de Sabedoria. Cabe então evocar aqui as duas correntes opostas da fisiologia sutil iogue, a Ida lunar e a Pingala solar, e que dever ser reunidas e equilibradas na dança de ascensão da Kundalini.

De fato, uma dialética deve dominar estas questões, sob pena de termos um desequilíbrio, pela ênfase apenas num dos fatores. Ao mesmo tempo, cabe fugir do relativismo absolutista e imobilizante. Então consideremos que a mente concreta e inferior, necessita realmente ser domesticada, controlada e direcionada; daí temos o trabalho do Lótus. E uma vez que esta mente esteja sob controle, ela pode ser empregada para realizar coisas nobres e superiores; assim teremos o trabalho da Jóia.


A Nova Escola


As técnicas em vista são escolhidas pelos buscadores, não apenas em função do temperamento individual e também pelo grau de evolução de cada pessoa, mas também em função da evolução racial ou coletiva. Naturalmente, a parte dinâmica soaria mais dificultosa, daí a ênfase histórica no método contemplativo, ademais da humanidade até então estar mais ou menos limitada nas suas capacidades criativas. O perigo do dinamismo é de reincorporar o ego, porém este é um risco a se correr –já que todos os caminhos têm as suas armadilhas-, e existem mecanismos para preservar alguém deste perigo, especialmente o sistema de Ordem e de hierarquia. O ensinamento de Krishna também faz fincapé deste assunto, ao combater a inação e a passividade dos místicos, instando-os antes a uma ação desinteressada, o chamado Karma-yoga.


Há também ensinamentos modernos que afirmam que a dinâmica das energias do Ocidente e da Nova Era, demandam uma atitude espiritual ativa, fato este que estaria aliás representado pelas posturas positivas do Buda esperado, Maitreya. Um destes importantes ensinamentos é o da Agni Ioga, que ensina o trabalho com os fogos cósmicos, havendo sido divulgado especialmente por Helena Roerich, e o qual Omraam Inanhov também prescreveu sob outras formas. Alice A. Bailey também tratou do tema com apuro técnico, em obras como “Miragem – um Problema Mundial”. Outros têm usado o nome desta elevada ioga de forma menor ou parcial.


A meditação passiva, depuradora e tranqüilizante, foi uma tônica da raça árya, focalizada no plano mental. A nova raça que começa em 2012, já alcança focalizar a energia do coração, ou o plano intuitivo, e para isto já se necessita energias criadoras. Somente a técnica da meditação avançada e a iluminação científica, podem trazer a consumação da jornada evolutiva humana e proporcionar a glorificação da alma anunciada pelas profecias, a cristificação do homem, a redenção final, a superação segura da segunda morte, a extinção das reencarnações e a ascensão de Kundalini –enfim, todas as grandes Metas espirituais claramente anunciadas pelas diferentes doutrinas.


A Meditação avançada necessita do esforço criativo da Jóia, a mente superior, para forjar as energias que levam à iluminação total. Nesta mística, existe a simbologia da Pedra Filosofal que porta o Alquimista consumado, capaz de transformar o metal vil em ouro. Trata-se da influência enobrecedora dos verdadeiros iluminados, que refinam e fornecem uma visão superior às coisas. Tal influência e conhecimento, também é importante para difundir a técnica da iluminação total, que demanda tal esforço criativo para apurar as energias capazes de conduzir à consumação do caminho. Nisto, todos os momentos e cada situação devem ser usados de forma criativa, sendo igualmente importante o contato com um instrutor, a experiência de grupo e o esforço isolado.


De modo geral, todo aquele que deseja avançar nesta senda, deve preencher-se de idealismo e de entusiasmo, até mesmo de heroísmo e de espírito de sacrifício, além de usar o pensamento de forma dinâmica e praticar a mente criativa, na síntese progressiva da luz, do som e do amor, que são a matéria-prima original da Mônada indivisa. Somente assim, teremos o avanço seguro nos caminhos da iluminação, que é uma conquista da vida toda e se destina a permear todos os aspectos da existência.



por Luís A. W. Salvi (LAWS)
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3 comentários:

  1. Caríssimo... é uma alegria tomar conhecimento do presente texto, redigido sob a sua lavra. Também cremos na imprescindibilidade de uma nova Eskola. Desta feita, muito nos honrará aprofundar tais questões contigo. Fraternalmente - Sinicio

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  2. Nossa, professor... fiquei encantada em sabê-lo atuante como TEÓSOFO neste nível de empreendedorismo e competência. Magistral... Estou toda vaidade em tê-lo meu amigo'.

    Parabéns. abraços

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  3. Sim, sê 'à sombra da primeira Escola - a Escola da Consciêcia, do Caminho de Lótus, da mística, da religião é o fanatismo e a perseguição religiosa fundamentalista' e 'ao abrigo da segunda - a Escola da Energia, do Caminho do Raio, do poder é a feitiçaria e o interesse pelo poder temporal desviado', e mesmo que sendo ambas em um ou outro aspecto,
    complementares, haveria mesmo que ter um CHAMADO ao TERCEIRO, terceiro modelo de escola, uma terceira vertente, com pressupostos, princípios e método-praxi que, instituindo e INAUGURANDO a via do Equilíbrio, nos ofereça a possibilidade do CAMINHO do MEIO neste campo do SABER e da VIDA na busca pela ILUMINAÇÃO e TRANSCENDÊNCIA... Vejamos, pois, lendo e meditando nas palavras do belo artigo que aqui nos traz sob a rubrica da ESCOLA NOVA, como alcançar e nos colocar no trânsito pelo fio da navalha: o Caminho do Meio!

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