“Apenas os pequenos segredos precisam ser guardados, os grandes ninguém acredita” (H. Marshall)

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sábado, 30 de maio de 2015

MITO - A REVELAÇÃO DA ESSÊNCIA: UMA DIDÁTICA-DO-INFINITO



O mito traduz em símbolos que captam a nossa atenção os fatos ocultos importantes que de outra forma poderiam nos passar despercebidos, dando-lhes assim a devida importância que merecem. Neste sentido, o mito é diametralmente oposto à Ciência, que tem a pretensão de avaliar a verdade das coisas, porém raramente vai além da superfície
O mito é uma linguagem de síntese, mas também representa um recurso didático especial. Através do mito você é convidado a sentir as coisas, para vir a se interessar a conhecer. E não existe melhor forma de conhecimento do que a experiência direta.
Como falar do poder do Sol em poucas palavras? Às vezes pode ser mais fácil transmitir a essência das coisas através de um culto do que por um tratado repleto de números e de informações frias e dispersas. Mesmo porque, provavelmente os tratados jamais poderão comunicar tudo aquilo que o Sol pode realmente representar na vida das pessoas.
Confunde-se muito o mito com a fábula. Hoje se procura muitas vezes dar ao mito uma conotação psicológica. Talvez os gregos, no seu afã de humanizar o politeísmo, tenham buscado objetivos como este, acarretando neste caso num reducionismo.
O mito visa não aumentar, mas retificar as ilusões humanas. Grandes feitos podem não ser aquilo que a maioria deseja ou espera. Talvez o Destino tenha outros planos para as coisas, e quando os homens sentem-se desamparados deveriam saber que podem estar eles mesmos no caminho errado.

Os mitos dramatizam para sensibilizar. De que servem narrativas históricas lineares, quando se necessita dar exemplos e prestar orientação? O mito busca transmitir uma experiência direta ao invés de simples informação. São famosos os “exageros” orientais, como hipérboles, e as máscaras rituais ou artísticas tinham uma intenção semelhante.
Se os mitos existem para sensibilizar os homens, também existe um caminho para superar os mitos, que é alcançar a sensibilização –provavelmente com o auxílio deles mesmos. Porém, aqueles que renegam os mitos, antes de se tornarem realmente sensíveis, o que restará para estas pessoas?! E esta premissa se estende aos dharmas em geral, como ensinou o próprio Buda.
O mito não exagera de fato, ele apenas revela o oculto. Para os sociólogos, o mito –incluindo nisto as religiões- é a forma de cultura das sociedades antigas, que são aquelas que não obstante relacionamos à Idade de Ouro.
Partindo ainda da nossa própria Antiguidade histórica, vários sociólogos e historiadores, tem avaliado as transformações da cultura universal nestes termos:

Mitologia -> Epopéia -> Filosofia -> Ciência

É possível inclusive enquadrar estas tendências dentro de ciclos conhecidos através de certos calendários sociais, com Idades entre 1.000 e 1.300 anos de duração, cuja sequência é aquela conhecida de Ouro, Prata, Bronze e Ferro.
Pensando assim, a Ciência quer dar uma conotação algo infantil à cultura antiga. Inversamente, porém, aqueles que a representam consideram infantil, bruto e primitivo ater-se somente às coisas evidentes, tangíveis e materiais. Noutra abordagem, ter-se-ia que tal limitação corresponde a uma espécie de senilidade da cultura humana, já que a criança nem sempre está assim tão apegada ao plano material, sobre o qual ela recém está aprendendo/assimilando na verdade.
Nisto, é possível sim comparar o mito com o recurso didático da fábula destinada às crianças em especial. Diante dos grandes fatos, o homem comum se assemelha à criança, e necessita ser impregnado por um novo imaginário de expansão.
Os grandes mitos descrevem acontecimentos maiores, incapazes de descrição objetiva. O mito visa conferir justiça e proporção àquilo que poderia ser ignorado, sob pena de desconhecermos o tamanho da ação divina ou, eventualmente, de alguma outra natureza. Contudo, aquilo que importa aqui é o poder divino de superar grandes provações, inclusive aquelas advindas de poderes especiais das trevas ante os quais os seres humanos acham-se totalmente importantes...
Por exemplo, se diz que certos avatares escreveram dezenas de milhares de obras, o que literalmente não corresponde aos fatos, porém somando os esforços dos seus discípulos o resultado não estaria longe disto. A obra fundadora ou o dharma-raiz, tinha em si embutida potencias inestimáveis, e este tipo de consideração exponencial ou qualitativa era muito comum na forma antiga de narrar a História.

O mito visa despertar o enlevo e a adoração que uma situação pode merecer, mas que poderia não ser percebida pelos humanos como tal sem o apelo a recursos especiais de linguagem. Por ser a cultura da Idade de Ouro, o mito trata de elaborar uma Didática do Infinito para comunicar sobre os Atos Fundadores de uma cultura ou civilização emergente.
O termo mito também se usa no sentido da falácia e do engodo. O mito pode ser falseado? Obviamente existem falsos mitos e também mitos esvaziados como deus otiosus. Isto toca unicamente ao discernimento das pessoas decidir. Um falso mito é um problema tão grave como a falta do bom mito, e na verdade ambas as coisas estão bem relacionadas. O mitômano é alguém que vive uma ilusão crônica e inquestionável, associada à prática da mentira compulsiva e à busca por criar uma imagem fictícia.

O mito é algo tão forte e determinante, que o ser humano não pode viver sem ele. A ausência do mito é simplesmente uma quimera, a própria Ciência, que pretende substituí-lo, termina por representar um mito falho, na medida em que não se admite como mito. A Epistemologia veio para corrigir estes problemas, fazendo um meio-campo necessário entre a Ciência e a Filosofia.

Naturalmente há mitos de diferentes espécies, com funções também díspares. Porém, os verdadeiros mitos tratam dos deuses e, dai, dizem respeito ao universo da religião. A dificuldade de conhecer um grande homem é como a de conhecer uma grande montanha: remota, distante e enevoada. Os fatos nem sempre atendem a demanda da fantasia humana. Os humanos querem adorar seres poderosos, porém a verdadeira grandeza pode se assemelhar mais a um iceberg, apenas uma pequena parte se revela. Por sua própria natureza, a espiritualidade pede discrição e modéstia. A história de Jesus é em tudo um exemplo de como Deus pode surpreender e inovar.
Então, a criação dos mitos fundadores representaria o alicerce fundamental de uma cultura, perdendo apenas em importância para os atos fundadores em si. Isto explica a importância das lendas e da literatura na formação ou na consolidação de muitas sociedades emergentes. O legislador Moisés foi um grande “mitificador”. O papel das Leis toca aos divinos Manus (“Mentores”) e aos seus correlatos. O Pentateuco (significa “cinco rolos”) fazia alusão aos cinco estados-de-consciência do ser humano, relacionados às raízes das classes sociais.
A Idade de Ouro mitifica (não “mistifica”) fatos ocorridos previamente na fundação das coisas, durante a chamada Idade do Diamante quando ocorre o grande embate entre a luz e a trevas em nome da criação de um novo tempo do mundo. Vivemos hoje o estágio central desta Idade de transição, quando o "carvão" do velho mundo vira "diamante" no novo mundo para transmitir a luz de uma nova revelação. Como estamos começando a parte positiva da transição, caberia dar início também à organização das novas estruturas culturais do mundo.

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Luís A. W. Salvi é filósofo holístico e autor polígrafo com cerca de 140 obras, e na última década vem se dedicando especialmente à organização da "Sociologia do Novo Mundo" voltada para a construção sócio-cultural das Américas.

Contatos: webersalvi@yahoo.com.br 
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